Quando parar também é cuidar

12 de Janeiro de 2026


Há momentos em que a vida não pede força. Pede pausa.


Estou a aprender isto agora. Não como teoria, mas como necessidade.


Durante muito tempo associei parar a desistir. A fraqueza. A falhar.


Mesmo depois do luto, mantive o ritmo. Continuei a decidir, a organizar, a sustentar. Por fora, parecia funcional. Por dentro, estava em modo sobrevivência.


Agora, com este diagnóstico, a vida não está apenas a pedir atenção. Está a pedir escuta.


Não é um pedido confortável. É um pedido físico.


O corpo fala antes da cabeça compreender. Abranda. Dói. Interrompe.


E eu estou a aprender, que existem pausas que não são opcionais.


Parar não é abandonar

Parar, neste momento, não significa abandonar a vida, os filhos, o trabalho ou os projetos. Significa não me abandonar a mim.


Estou a desligar o ruído quando consigo. As opiniões. As expectativas. A urgência de responder a tudo.


Preciso de silêncio para ouvir o que está realmente a acontecer dentro de mim. Não para resolver tudo. Mas para não me perder.


O silêncio não é fácil. Nunca é.


Mas é neste espaço que começo a distinguir o essencial do acessório. O que é urgência real do que é hábito. O que me pertence do que carrego por automatismo.


O que a pausa me está a mostrar?

Esta pausa está a ensinar-me que:


• descansar não é luxo, é cuidado
• abrandar não é falhar, é recalibrar
• não decidir também pode ser uma decisão válida
• não estar bem não exige explicação


Estou a perceber que o corpo não é algo a vencer, mas algo que avisa.


E estou a aprender que organizar a vida não começa na ação. Começa na escuta. Na honestidade. No respeito pelo momento presente.


Um convite no meio do processo

Se estás a atravessar um momento difícil, sei lá: luto, doença, exaustão, separação, transição sei lá… talvez não precises de fazer mais.


Talvez precises de parar o suficiente para te ouvires, mesmo que ainda não saibas o que fazer com o que ouves.


Eu também ainda não sei tudo.


Mas sei que continuar a correr agora seria continuar a não escutar. Seria matar-me.


Às vezes, o maior ato de coragem não é continuar. É permitir-se parar, aqui, agora, e confiar que o caminho se revela passo a passo.


Não depois. Durante.



Por Carmen Cabral, The Door – Life Executive Assistant
12 de Janeiro de 2026.

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