Fevereiro 04, 2026
O cancro é uma doença silenciosa.
Nem sempre faz barulho quando chega. Às vezes instala-se devagar, outras vezes invade de repente.
Mas quase sempre muda tudo — mesmo quando ainda ninguém sabe.
O Dia Mundial do Cancro não me pede discursos nem estatísticas. Pede-me presença. Pede-me memória. Pede-me verdade.
Há um espanto que nunca me abandona: ninguém deveria atravessar isto sozinho.
E, no entanto, tantos o fazem.
Vive-se sozinho nos corredores, nas decisões difíceis, nas noites longas, nas perguntas que não têm resposta.
Vive-se sozinho porque os outros não sabem o que dizer. Porque têm medo. Porque o silêncio parece mais seguro do que as palavras erradas.
Mas o silêncio também adoece.
Hoje sei que o cancro não é apenas uma doença do corpo.
É uma experiência que atravessa tudo: o tempo, a casa, as relações, a forma como se olha para o futuro.
É uma doença que pede mais do que tratamentos — pede companhia verdadeira.
Alguém que fique. Sem pressa. Sem fórmulas. Sem fugir.
Este dia lembra-me isso.
Não como uma mensagem institucional, mas como um compromisso humano: estar.
Estar quando não há solução.
Estar quando há medo.
Estar quando não se sabe o que vem a seguir.
Talvez a prevenção salve vidas.
Talvez o diagnóstico precoce faça a diferença.
Mas tenho a certeza de uma coisa: ninguém deveria atravessar o cancro — ou o que ele traz — sozinho.
Hoje escrevo por isso.
Por presença. Por cuidado. Por humanidade.
Por Carmen Cabral, The Door – Life Executive Assistant
Fevereiro 04, 2026